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Meu nome é Fabiano Suassuna Dutra de Albuquerque Montenegro, moro
na cidade de João Pessoa, Paraíba, e como já deu para
notar, sou louco por Dodges, principalmente pelo Dodginho.
Essa obsessão teve início ainda na minha infância,
mas não me lembro quantos anos eu tinha na época.
Estudei no colégio Nossa Senhora de Lourdes (Lourdinas) dos 6 aos
10 anos de idade. Vizinho ao colégio, havia uma *casa,
cujo dono possuia um "Dorginho"
(maneira pela qual eu pronunciava e escrevia a palavra Dodginho) bege -
lataria e interior, inclusive volante - bem novinho. Os faróis dianteiros
eram retangulares. Sempre quando ia para a aula, eu olhava para esse carro,
já que a garagem era desprovida de portões, e o muro era
baixo. Até hoje me lembro da placa desse carro: JC - 8310.

Inclusive, sempre que eu via um dodginho, eu procurava decorar a placa,
para depois anotar no meu caderno. Era uma forma de eu ter "alguma coisa"
do carro, já que meu pai nunca havia possuido um Dodge, e nem pretendia,
pois naquela época, o carro já estava fora de linha.
Desde então, eu dizia a meus pais e meus primos que quando eu "crescesse",
se ainda existissem dodginhos para vender, eu compraria um. Eu imaginava
comprar o carro em uma loja de revenda. Não imaginava que tantos
anos depois, a maioria estaria no ferro-velho. Não pensava nos problemas
que um carro fora de linha poderia trazer, como procurar peças para
reposição em caso de batida ou de defeito, por exemplo, e
não encontrar facilmente.
Os anos se passaram, até que aconteceu algo engraçado. Em
1997, aos 21 anos, entrei pra faculdade, para fazer o curso de Administração.
Foi aí que descobri um dodginho abandonado em uma borracharia, juntamente
com outros "restos" de automóveis, próxima a minha Universidade
(UFPB - Universidade Federal da Paraíba). De uma maneira ou de outra,
a história se repetiu: antes eu via um dodginho todos os dias quando
eu ía para o colégio. Mais de dez anos depois, eu via um
dodginho todos os dias em que ía para a faculdade.
Um dia, durante uma aula vaga, resolvi chamar uns colegas de classe e fomos
a pé na tal borracharia. Chegando lá, fui direto olhar o
carro, que estava bastante sujo. Ao levantar o capô, percebi que
só uma coisa havia ali dentro: a vareta de ferro que segura o capô!
A ferrugem havia atacado a lataria, que estava bastante estragada. No interior
do carro, vários de seus componentes originais ainda lá jaziam.
Perguntei ao rapaz do estabelecimento quanto ele queria pelo carro. Ele
pediu R$150,00. Achamos caro (pelo estado deplorável em que se encontrava
o carro) e ele disse que a gente poderia vender as peças. Um colega
meu brincou, levantando o capô e perguntando: "- Que peças
?!"
Dias depois, à tarde, resolvi chamar um amigo meu e retornei ao
local, com o simples objetivo de fotografar o carro (coisa que nunca fiz,
e que me arrependo até hoje: quantas vezes passei pelo Dodge da
casa vizinha ao meu colégio, e NUNCA me lembrei de pedir a meus
pais que batessem uma foto minha com o carro)!
Ao chegar na borracharia, procurei o rapaz responsável e pedi permissão
para bater as fotos, dizendo que gostava do carro desde criança,
pois ele poderia ficar sem entender como duas pessoas vão em um
Monza, bater fotos de uma sucata.
Ao bater as fotos, esse meu amigo ouviu comentários de pessoas que
estavam num barzinho em frente, achando que nós éramos jornalistas
e que estávamos preparando uma matéria para a televisão.
Nessa época, eu nem imaginava criar uma HomePage ainda.
Esta é a minha primeira foto de Dodginho. Foi batida
nesse dia:

Algum tempo depois, retornei lá e comprei quase todas as peças
do carro, como: volante, painel, freio de mão, engenhos, lanternas
trazeiras (uma delas quebrada), peças do desembaçador, e
até o pára choque traseiro. Coloquei tudo na mala do Monza.
Meses depois, passei lá novamente e vi que o carro já não
mais existia: tocaram fogo no que sobrou.
Um dia, quando ia para a Universidade, vi um Polara parado em frente a
um Centro de Saúde (tinha escrito em um dos lados da lataria: "conserta-se
ar-condicionado"). Pensei em procurar o dono para dar meu telefone, caso
ele quisesse vender o carro. Talvez por ainda não dispor de dinheiro
o suficiente para comprar um carro, desisti e fui embora. Passei o dia
arrependido de não ter pego ao menos o telefone do proprietário,
pois fazia tempo que não via um carro daquele "rodando".
Dias depois, eu estava em Mangabeira (Bairro próximo à UFPB),
quando vi o mesmo carro passar. Não podia deixá-lo escapar
pela segunda vez: saí correndo atrás dele, até o mesmo
parar em uma rua. Desci do carro e dei meu telefone ao dono do dodginho,
caso ele resolvesse vendê-lo.
Essa é a foto desse carro:

Após isso, rodei João Pessoa inteira à procura de
outros carros. Achei vários: um pior do que o outro. Um deles tinha
tanta ferrugem que dava para ver o estepe pelo lado de fora. Outro tinha
apenas as jantes e o painel (incompleto) de dodginho, sem falar no tanque
de gasolina improvisado, dentro do salão do automóvel. Até
que encontrei um, em bom estado, porém um pouco adaptado. Comprei-o.
Este é o meu carro: um Dodge 1800/Polara, ano 77; meu "DORGINHO"
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