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Em primeiro lugar, gostaria de
parabenizá-los pela excelente revista que é AUTO&TÉCNICA,
mas principalmente pela revista “CLASSIC CARS”, todo mês encartada.
Agora aí vai a reclamação: na página 18 da
edição 59 vocês afirmaram que “o PT Cruiser é
talvez o mais decepcionante Chrysler que já dirigimos – fora os
Dodge 1800/Polara”! Esta frase está completamente equivocada, pois
é impossível afirmar que o Dodginho era um carro decepcionante.
O Polara, comparado com seus concorrentes brasileiros – Chevette, Corcel,
Passat etc – ganhava praticamente em tudo, perdendo apenas em consumo.
Sempre foi mais veloz que todos esses carros e, inclusive, era até
mais rápido que certos veículos de categoria superior. O
Opala quatro cilindros, apesar de confiável, é um bom exemplo
de carro decepcionante e lerdo. O seis cilindros, com seus 4.100 cm3, não
consegue andar na frente de um automóvel com motor 2.0. Isso é
decepcionante, pois torna necessário apelar para preparações.
Em 1976 o Polara, sem o apoio da fábrica, ganhou praticamente todas
as corridas de Divisão 1 Turismo, foi campeão da Classe A,
Campeão Paulista e Campeão do Torneio Norte-Nordeste. Ganhou
também diversos ralis no Brasil, sendo um dos carros com maior durabilidade.
Em 1977 foi eleito “Carro do Ano”, em 1979 ganhou a transmissão
automática de quatro velocidades e em 1980, foi apresentada a versão
GLS, com painel Veglia e carburador Weber duplo. O seu velho motor inglês
do pós-guerra é praticamente indestrutível, pois a
maioria dos carros que ainda rodam hoje nunca passaram por uma retífica.
Na Fórmula 2 sul-americana esse motor, com 1.500 cm3, dominou todas
as temporadas, superando sempre o VW AP e Renault argentino. O velho 1.5
continuava com comando de válvulas no bloco e tinha 220 cv girando
até 9.000 rpm!
O carro foi fabricado em diversos países, inclusive nos Estados
Unidos, com o nome de Plymouth Cricket. Na Inglaterra existiram diversas
versões do Hillman Avenger, incluindo aí uma versão
com cabeçote de 16 válvulas (Avenger BRM), esportivos (GT
e Tiger) e uma versão com motor Lótus de 16 válvulas,
2.300 cm3 e 230 cv, com caixa de câmbio ZF de cinco velocidades.
Esta versão foi campeã de vários ralis na Europa.
Atualmente o Hillman Avenger é tri-campeão inglês na
categoria “Carros Históricos”. Quem quiser conferir é só
acessar na Internet os sites www.staddiscombe.freeserve.co.nk/avenger.html
e www.asoc.co.uk
Rodrigo Ramos Copelo
Rio de Janeiro - RJ
Continuamos afirmando que o PT Cruiser – junto com os Dodge 1800/Polara
– é o mais decepcionante Chrysler que já dirigimos, sem contar
que os 1800/Polara sequer eram projetos Chrysler... Não concordamos
quanto às considerações feitas a respeito do Chevrolet
Opala, carro que obteve grande sucesso no mercado brasileiro, ao contrário
do Dodginho que, se tivesse seu motor comparado aos 2.0 modernos, também
deixaria muito a desejar.
O projeto do Polara era, de fato, bom para a década de 60, mas não
é possível considerar, por exemplo, seu espaço interno
e velocidade máxima superiores às do Passat – este sim o
carro que melhor se saía na extinta Divisão 1, do mesmo modo
que o Corcel era muito mais confortável e o Chevette mais econômico.
Também é bom lembrar que o Dodge 1800 – embora fosse um carro
barato – foi um dos maiores fracassos da história da indústria
automobilística brasileira e que, conforme a piada difundida na
sua época, “só não trazia defeitos no certificado
de propriedade”, tamanhos eram os problemas decorrentes de seu lançamento
feito às pressas. Por tal motivo surgiu a campanha “Garantia Total”
e mudou-se o nome do carro para Polara, o que, entretanto, foi pouco para
salvar o pequeno Dodge, cuja imagem estava irremediavelmente manchada.
Com o prematuro encerramento da produção da Dodge Dakota
no país, é possível perceber que as dificuldades da
Chrysler em meados de Terceiro Mundo não mudaram muito nestas últimas
décadas, o que é de fato uma pena para quem realmente gosta
de automóveis.
Em tempo: o Plymouth Cricket norte-americano era o Hillman Avenger importado
da Inglaterra, não sendo, logicamente, fabricado nos Estados Unidos,
conforme o leitor imagina.
Como proprietário e admirador incondicional dos 1800/Polara, sou
suspeito para falar. Porém, aqui vai minha opinião: Tudo
bem que o Dodginho teve vários problemas causados por seu lançamento
prematuro, que prejudicaram sua imagem - problemas estes que foram erradicados,
e transformaram o Dodginho em um carro absolutamente confiável.
Mas dizer que o Dodginho é decepcionante, é outra história.
Decepcionante por que? A imensa maioria dos proprietários e ex-proprietários
do carro em questão sempre elogiaram e continuam elogiando o Polara.
Eu mesmo sou um satisfeito proprietário de um Dodginho 1977 – carro
que JAMAIS me decepcionou! Revistas conceituadas, na época em que
o Polara era fabricado, realizaram inúmeros testes com o automóvel,
e nunca o consideraram decepcionante.
No caso dos 1800/Polara não serem projetos Chrysler... e daí?
(!)
A mudança de nome (de 1800 para Polara) realmente objetivava tirar
da mente do consumidor a idéia de que o Dodginho ainda era o mesmo
carro problemático lançado às pressas em 1973. Mas
não se pode afirmar que sua "imagem manchada" foi o causador do
fim de sua produção. Todos sabemos que os Dodge nacionais
chegaram a seu fim devido à aquisição da Chrysler
do Brasil pela Volkwagen, que aniquilou todos os Dodge (e não somente
o Polara) para fabricar seus caminhões.
Não sou expert em motores, mas em relação à
parte que fala que o motor do Dodginho deixaria a desejar se comparado
a motores 2.0 modernos, a resposta seria lógica: provavelmente os
motores 2.0 modernos levariam vantagem em relação ao motor
do Polara, por uma razão óbvia: não se pode comparar
a tecnologia utilizada na época do Dodginho com a tecnologia atual
– sem esquecer que o Dodginho possui motor 1800, e não 2.000. Outro
detalhe: ao citar o Chevrolet Opala, Rodrigo comparou o motor de ambos,
e não o sucesso ou fracasso deles no mercado, como foi ressaltado
na resposta da revista! Uma prova da falta de argumentos por parte da revista
ao atacar o Polara.
No tocante ao espaço interno, o Dodginho sempre foi taxado de “pequeno
por fora e grande por dentro”. Alguma razão deveria haver...
Por fim, resta saber o porquê de toda essa maximização
dos pontos negativos do Dodginho, escritos de forma a denegrir ainda mais
a imagem do carro, praticamente em duas edições, de uma revista
como a Auto&Técnica – que sempre coloca matérias extremamente
interessantes para admiradores de carros antigos, com informações
justas e coerentes – sem tantas críticas (INJUSTAS) a determinado
carro. Definitivamente, fazia-se desnecessário esse excesso
de críticas, incluindo aí a piadinha referente à falta
de defeitos no certificado de qualidade do Dodginho. Lamentável
mesmo!
Tenho plena convicção de que
o Dodginho nunca foi um carro perfeito, sem problemas ou falhas.
Mas também tenho plena
convicção de que o mesmo não
é, nem nunca foi, um carro DECEPCIONANTE,
como foi dito (infelizmente) na minha revista predileta. Decepcionante
foi ver tais críticas aos 1800/Polara, na revista a qual tenho grande
apreço, e sempre fui profundo admirador e assíduo leitor.
Lamento profundamente criticar a Auto&Técnica em meu site - uma revista que sempre espero ansioso todos os meses nas bancas, e que já cheguei a telefonar mais de uma vez para a Dinap (Distribuidora da revista) questionando o motivo de alguns atrasos da mesma nas bancas. Não pretendo deixar de comprar Auto&Técnica, nem deixar de reconhecer e elogiar o excelente trabalho realizado pela revista em suas edições. Mas também não poderia me omitir diante dos absurdos que li sobre o Dodge 1800/Polara.
Fabiano Suassuna Dutra de Albuquerque Montenegro
Segunda-feira, 21 de Maio de 2001
Mais uma prova de quão infeliz foi a crítica feita pela Revisa
Auto&Técnica em relação aos Dodge 1800/Polara.
A própria revista, na mesma edição onde foi publicada
a carta do Rodrigo, mostra as considerações do Diretor-Adjunto
de Comunicação Corporativa; e do Supervisor de Relações
com a imprensa Daimler Chrysler, a respeito do assunto (página 70).
Veja logo abaixo a reprodução do texto:

O PT Cruiser está sendo um sucesso de vendas em todo o mundo pelo
seu design exclusivo, com estilo retrô, sua tecnologia avançada
e sua funcionalidade. Tanto é que uma nova fábrica na Áustria
ampliará a produção do modelo para atender sua demanda
mundial.
Apesar disso, Auto&Técnica considerou o modelo o mais decepcionante
Chrysler por ela testado, em função de sua "tamanha falta
de potência", chegando a fazer até uma infeliz referência,
dentro do contexto, ao Dodge 1800/Polara.
O que nos parece estranho é a revista Auto&Técnica limitar
sua avaliação ao desempenho do automóvel, deixando
de informar aos seus leitores que o PT Cruiser apresenta uma proposta diferenciada.
Não se trata de um automóvel que busca oferecer um desempenho
esportivo, como buscou nele a revista.
O PT Cruiser justifica seu sucesso mundial junto aos consumidores do mundo
todo ao oferecer tecnologia avançada, funcionalidade, exclusividade
e prazer ao dirigir. Essas características já foram observadas
e destacadas por todas as demais revistas, brasileiras e internacionais,
que testaram e aprovaram essa proposta do modelo.
André Senador
Diretor-Adjunto
de Comunicação Corporativa
Gilberto dos Santos
Supervisor
de Relações com a Imprensa Daimler Chrysler
Ao tomar conhecimento de meu descontentamento em relação
ao caso citado nesta seção, Rubens Caruso Jr. - um dos Editores
da Revista Auto&Técnica - me enviou um e-mail (em 19/06/2001),
com considerações a respeito do caso. Antes, porém
(em 28/05/2001), Rodrigo Leite Gasparotto (um dos colaboradores do site)
também enviou um e-mail, a respeito do assunto. Agradeço
a ambos pelas mensagens enviadas.
Procurando ser o mais democrático possível, coloquei no site
os dois e-mails, na íntegra.
Portanto,
todas as informações abaixo citadas são de responsabilidade
de quem os escreveu.
Veja, a seguir, o e-mail enviado por Rubens Caruso Jr. (Editor de A&T)
e, mais abaixo, o e-mail do Rodrigo Leite Gasparotto.
Prezado Fabiano.
Sendo um dos Editores de A&T, sinto-me na obrigação de
manifestar algumas considerações com relação
às críticas empenhadas no seu bem elaborado site, independente
da publicação de sua carta na Revista. Embora A&T tenha
pouco mais de seis anos de publicação, modestamente desfrutamos
de bom conhecimento no assunto automóvel, paixão cultivada
desde crianças pelos hoje quarentões profissionais da Revista.
É preciso considerar a experiência acumulada em anos de estudo
e trabalho. Avaliar um automóvel demanda sensibilidade e conhecimento
que raros jornalistas no Brasil têm. É preciso ainda considerar
que o exercício democrático do direito à expressão
permite e garante emitir opiniões positivas ou negativas sobre os
assuntos que tratamos - não fosse assim cairíamos no triste
ridículo de simplesmente copiar fichas técnicas desta ou
daquela marca. Esta garantia constitucional possibilita até a existência
de sites como o seu, com capacidade de opinar inteligentemente sobre pautas
de seu interesse.
Pois bem, muito mais do que "testadores de carros" ou "copiadores de fichas",
procuramos dar alma aos nossos textos. Escrever pode ser fácil,
é só juntar um monte de palavras e por um ponto no final.
Mas dar vida a um texto não é fácil, e é isto
que garante a sobrevivência e a longevidade de um produto como A&T:
a confiança que leitores como você depositam em quem assina
um texto. Isto impede qualquer conceituação de "tendencioso"
para um texto, já que nossos parceiros são os leitores, muito
antes de qualquer parceiro comercial da Revista. Por exemplo, nutrimos
uma relação muito cordial com os signatários da correpondência
da Daimler-Chrysler, o que não impede nosso direito à crítica
nem à manifestação daquela empresa.
Resumindo, todos temos direito de expressão, claro que com um embasado
conhecimento técnico. O Dodge 1800/ Polara, na minha opinião,
foi fruto de uma corajosa atitude da Chrysler à época, mas
cujos resultados demonstraram que não basta coragem: o carro foi
lançado com muitos problemas; as vendas sempre ficaram muito abaixo
da concorrência (Passat, com motor 1.5 ou 1.6); o desempenho não
empolgava, apesar do 1.8, considerando o enigmático carburador que
equipava o carro.
Dentro do panorama da linha de produtos, o 1800 veio em meio à crise
do petróleo, como "salvação da lavoura" para a empresa,
definida pelos motores V8 dos Dart/ Charger. Lá se vão 20
anos desde que a empresa parou pela primeira vez, e as melhores lembranças
ficam sempre pelos V8, o que não quer dizer que os Polara estão
esquecidos, mas os grandes, beberrões, poucos estáveis Charger
e Cia. produzem mais horas/papo que outros modelos da marca.
Em tempo: tivemos um Polara 80 em nosso pequeno acervo, mas pela enorme
dificuldade de mantê-lo em condições adequadas (falta
de peças, em especial de acabamento, além do carburador -
em tempos de pouca fartura de internet), este acabou mudando de mãos,
e não sei onde andará.
A mesma dificuldade não temos com um bem nutrido Charger 79 ou com
a quase restaurada D100, ambas com fornecedores locais ou norte-americanos.
A&T está à sua disposição e de todos os
visitantes do seu site, e aproveito para mais uma vez cumprimentá-lo
pela franqueza e qualidade do tratamento dispensado.
Grande abraço!
Rubens Caruso Jr.
Editor - Auto&Técnica
rcaruso@zaz.com.br
Botucatu, 28 de Maio de 2001.
Caro Fabiano,
Não pude deixar de tomar conhecimento da atitude injusta tomada
pela revista "Auto & Técnica" que, sem mais nem menos, denegriu
a imagem do Dodge 1800/Polara, ofendendo a todos os atuais proprietários,
que além de lutar contra uma quase total falta de peças e
serviços especializados, agora têm de aturar opiniões
desfavoráveis infundadas.
Primeiro ressalto ser leitor de citada revista, pelas mesmas razões
que você, e que ela me proporcionou momentos de alegria, com reportagens
sobre veículos antigos, em especial os nacionais, resgatando sua
memória, tão esquecida nos dias de hoje.
Por outro lado, acho que o tom das afirmações feitas pelo
leitor em sua resposta à revista, sobre o Chevrolet Opala, foram
feitas de uma maneira um tanto impolida, e, sabendo-se o número
imenso dos admiradores desse veículo, dentro da própria publicação,
inclusive (como agora ficou claro), entendo parcialmente a violência
com que a redação se manifestou.
Entretanto, frise-se, o "primeiro tiro" foi dado pela revista, num comentário
igualmente infeliz, sobre o PT Cruiser, que seria um dos Chryslers mais
decepcionantes da história, desde o Dodge 1800/Polara.
Mas, razões subjetivas à parte, considerações
devem ser feitas, que não podem ser refutadas, eis que, ao contrário
daquelas feitas pela "Auto & Técnica", estão fundamentadas
em testes empíricos, e que passamos a fazer:
Primeiramente, e por princípio, um critério utilizado para
comparar automóveis é o combustível por eles utilizado.
Assim, não devem ser comparados carros à álcool com
aqueles movidos à gasolina;
Da mesma forma, não devemos considerar comparação
válida aquela feita entre automóveis de idades muito diferentes,
tendo em vista os avanços tecnológicos auferidos pela indústria
automobilística com o passar dos anos.
Feitas essas observações, de início, passemos aos
números:
1) Motores:
Motor GM 151 2474cc, 82CV@4400rpm,
17mkgf@2400rpm
Motor Dodge Polara 1799cc,
85CV@5000, 14,2mkgf@3500
No caso da carta do leitor à revista, ele não fez um comparativo
de sucesso mercadológico (que aliás, não traduz necessariamente
a boa qualidade de um produto), mas sim de motores e tecnologia empregada.
Assim, facilmente se percebe que o motor do Dodge é mais eficiente
do que aquele que equipa os Opala 4 cilindros (47,2 CV/L x 33,14 CV/L,
respectivamente).
A potência específica do motor 1.8 do Polara é boa
para os padrões da época, se comparada a outros motores:
GM 151 33,14 CV/L
GM 250 28,8 CV/L
GM 250-S 30,78 CV/L
GM OHC 2.0 49,54 CV/L
Dodge 1.8 47,25 CV/L
VW 1600 34,09 CV/L
VW AP 1800S 52,21 CV/L
Fiat 1.6 53 CV/L
Ford 1.6 "pré" CHT 45,01
CV/L
Ford 2.3L OHC 39,56 CV/L
2) Desempenho:
O leitor, em sua missiva, declarou ser o Opala 4 cilindros "decepcionante",
posto que seria um carro lerdo.
Para aferir a veracidade de tal afirmação, vamos comparar
seus números de desempenho com os de outros veículos, seus
contemporâneos:
- Caravan SS 1980: 0-100 km/h em 17,59
s. - velocidade máxima de 145,161 km/h;
- Caravan Comodoro 1981: 0-100 km/h em
18,71 s. velocidade máxima de 147,541 km/h;
- Opala Comodoro 1989: 0-100 km/h em 15,83
s. velocidade máxima de 152,5 km/h
- Gol LS 1981: 0-100 km/h em 18,89 s.
velocidade máxima de 144,000 km/h;
- Corcel II 1981: 0-100 km/h em 17,07
s. velocidade maxima de 152,542 km/h;
- Passat LS 1981: 0-100 km/h em 14,24
s. velocidade máxima de 150,313 km/h
- Dodge Polara GL 1980: 0-100 km/h em 14,20 s. velocidade máxima de 150,000 km/h.
Ante esses números, podemos chegar à seguinte classificação:
Arrancada: Velocidade Máxima:
1º Polara GL
1º Corcel II
2º Passat LS
2º Opala Comodoro
3º Opala Comodoro
3º Passat LS
4º Corcel II
4º Polara GL
5º Caravan SS
5º Caravan Comodoro
6º Caravan Comodoro
6º Caravan SS
7º Gol LS
7º Gol LS
Obs.: todos os veículos acima citados são movidos a gasolina; dados coletados de diversas edições das revistas "4 Rodas" e "Autoesporte" da década de 80.
Conclusão: todos esses carros possuem velocidade máxima semelhante,
destacando-se, em aceleração, o Polara e o Passat LS, que
chegam a ser 1,6 segundos mais rápidos que o terceiro colocado (Opala
Comodoro). É de se ressaltar que, segundo a revista 4 Rodas, o Passat
LS então avaliado era equipado com o mesmo motor 1.6 do Passat TS.
Logo, o Opala não pode ser considerado "decepcionante", conforme
alegou o missivista, restando seus números de desempenho dinâmico
como meros resultantes de uma opção da fábrica.
Mesmo assim, tanto o Passat LS quanto o Polara GL têm desempenho
notadamente superior, vez que seus 1,6 segundos de vantagem em arrancada
sobre o Opala a meu ver pesam mais do que 1 ou 2 km/h de velocidade máxima,
máxime o fato do Chevrolet ter sido fabricado em 1989.
Outra referência que merece ser levada em consideração
é o fato de que Polara GL e Passat LS têm desempenho praticamente
idêntico (a diferença entre eles, aliás, é desprezível),
sendo que a comparação de desempenho destes carros deveria
ser feita entre as versões esportivas (GLS e TS, respectivamente).
Portanto, da mesma forma não procede a alegação da
revista de que "o Passat TS sempre andou mais".
Quanto aos problemas apresentados pelo Dodge 1800/Polara, é de conhecimento
notório que os mesmos perduraram até 1975, quando ele deixou
de ser denominado "1800" para se chamado, definitivamente de "Polara".
Não fosse assim, não teria sido eleito carro do ano em 1977,
informação veraz e irrefutável, portanto.
Corrobora para a tese o fato de que a própria Volkswagen continuou
a fabricá-lo, sob o nome de VW 1500, na Argentina, até 1992,
ficando mais tempo em produção, inclusive, que o próprio
Passat.
Essa informação a própria revista deveria saber...
.
Agora, o que há de mais absurdo na resposta da revista, é
a preconceituosa alegação de que o Dodginho não é
um projeto Chrysler.
Ora, a partir do momento em que uma fábrica põe a sua marca
em determinado produto, se responsabilizando pelas conseqüências
de sua comercialização, tal produto passa a ser seu.
Caso contrário, os Corcel, I e II, não são Ford, são
Renault; o painel das Brasílias é DKW-Fissore; nosso Dodge
Charger R/T é um Dodge Dart; o atual Chevrolet Tracker é
um Suzuki; O Opala é Opel; O Fusca, é Porsche; o Willys Interlagos
é um Renault Alpine; o Simca é Ford, e como corolário
desta tese absurda, a própria Chrysler não produz mais legítimos
carros Chrysler, vez que se fundiu com a Mercedes-Benz!
Só quero que me dêem uma boa resposta para a seguinte pergunta:
que diferença faz tal informação?
Se me perguntarem qual a marca de um Del Rey, responderei imediatamente:
Ford.
Portanto, aqui fica meu protesto contra a atitude da revista, um covarde
"soco na boca do estômago" de todos os proprietários de Dodge
Polara do Brasil, e dos antigomobilistas em geral, vez que prestou um desserviço,
ao semear a discórdia, exatamente o contrário do que se espera
de tão renomado veículo de comunicação.
Finalmente, devo frisar o fato de que o Dodge Polara realmente deixou de
ser fabricado graças à absorção da Chrysler
pela Volkswagen, que tirou todos os Dodge de linha, vez que não
tinha interesse, à época, em dar continuidade à produção
de automóveis grandes e de luxo (linha Magnun/LeBaron) e não
queria fabricar outro carro pequeno e moderno que não o Passat.
Rodrigo Leite Gasparotto.
rodrigolg@uol.com.br