INJUSTIÇA
Dodginho é chamado de decepcionante, na Revista Auto&Técnica

 
Aos Editores da Revista Auto&Técnica, e a todos os admiradores dos 1800/Polara
 
 
            Sou assíduo leitor de Auto&Técnica desde 1998, quando a descobri na banca de revistas que sempre freqüento aqui em João Pessoa – PB. O primeiro exemplar que adquiri foi o Nº 31, Ano 3, de 1998 (Foto ao lado). O que mais me chamou a atenção na revista foi exatamente a Classic Cars, que sempre traz matérias aprofundadas sobre algo que as demais revistas que tratam do assunto “carro” sempre desprezam: os carros antigos.
            Desde que descobri Auto&Técnica e Classic Cars, sempre adquiri todos os exemplares que saem nas bancas, além da Auto&Mecânica, que também trata do assunto, mostrando detalhadas fichas técnicas de carros que não são mais fabricados.
            A cada edição, folheio a revista com esperanças de ver matérias a respeito de meu carro predileto (obviamente o Dodginho) – que raramente é citado em Classic Cars, e dificilmente possui matérias aprofundadas a seu respeito na revista – salvo na edição Nº 34 de Auto&Técnica (Classic Cars Nº 6), no texto intitulado “Dodge Polara e seus 25 anos” – um texto muito bem escrito, de autoria de Enio Brandenburg, que conta de maneira justa, resumida e objetiva toda a história do referido automóvel (Foto abaixo).
 
            Na edição Nº 59, página 18, de Auto&Técnica (Foto ao lado), é mostrada uma matéria (assinada por Ricardo Caruso) a respeito do Chrysler PT Cruiser – recente lançamento da Chrysler.
            Nas linhas iniciais da matéria, o Dodginho é citado – mas não como automóvel exemplar ou detentor de qualidades, e sim como um carrinho insignificante. O texto fala o seguinte: “O PT Cruiser é talvez o mais decepcionante Chrysler que já dirigimos – fora os Dodge 1800/Polara – apesar de seu estilo sugerir emoções fortes”.
 
        
 
 
            Ao ler a referida matéria, discordei do autor do texto, mas não falei sobre o assunto no Site. Em Auto&Técnica Nº 61 (Classic Cars Nº 33 - Foto ao lado) é publicada uma carta (de Rodrigo Ramos Copelo), onde o mesmo defende o injustiçado Dodge 1800/Polara.
            Como resposta à carta, a revista não volta atrás em sua crítica ao Polara, e tenta justificar suas palavras com ataques ainda mais contundentes, desnecessários e até certo ponto tendenciosos, em relação ao Dodginho.
            A seguir, veja a carta enviada por Rodrigo R. Copelo (em azul) à Revista;  a resposta de Auto&Técnica (em vermelho) - e mais abaixo, minha opinião.
 


            Em primeiro lugar, gostaria de parabenizá-los pela excelente revista que é AUTO&TÉCNICA, mas principalmente pela revista “CLASSIC CARS”, todo mês encartada. Agora aí vai a reclamação: na página 18 da edição 59 vocês afirmaram que “o PT Cruiser é talvez o mais decepcionante Chrysler que já dirigimos – fora os Dodge 1800/Polara”! Esta frase está completamente equivocada, pois é impossível afirmar que o Dodginho era um carro decepcionante. O Polara, comparado com seus concorrentes brasileiros – Chevette, Corcel, Passat etc – ganhava praticamente em tudo, perdendo apenas em consumo. Sempre foi mais veloz que todos esses carros e, inclusive, era até mais rápido que certos veículos de categoria superior. O Opala quatro cilindros, apesar de confiável, é um bom exemplo de carro decepcionante e lerdo. O seis cilindros, com seus 4.100 cm3, não consegue andar na frente de um automóvel com motor 2.0. Isso é decepcionante, pois torna necessário apelar para preparações.
            Em 1976 o Polara, sem o apoio da fábrica, ganhou praticamente todas as corridas de Divisão 1 Turismo, foi campeão da Classe A, Campeão Paulista e Campeão do Torneio Norte-Nordeste. Ganhou também diversos ralis no Brasil, sendo um dos carros com maior durabilidade. Em 1977 foi eleito “Carro do Ano”, em 1979 ganhou a transmissão automática de quatro velocidades e em 1980, foi apresentada a versão GLS, com painel Veglia e carburador Weber duplo. O seu velho motor inglês do pós-guerra é praticamente indestrutível, pois a maioria dos carros que ainda rodam hoje nunca passaram por uma retífica. Na Fórmula 2 sul-americana esse motor, com 1.500 cm3, dominou todas as temporadas, superando sempre o VW AP e Renault argentino. O velho 1.5 continuava com comando de válvulas no bloco e tinha 220 cv girando até 9.000 rpm!
            O carro foi fabricado em diversos países, inclusive nos Estados Unidos, com o nome de Plymouth Cricket. Na Inglaterra existiram diversas versões do Hillman Avenger, incluindo aí uma versão com cabeçote de 16 válvulas (Avenger BRM), esportivos (GT e Tiger) e uma versão com motor Lótus de 16 válvulas, 2.300 cm3 e 230 cv, com caixa de câmbio ZF de cinco velocidades. Esta versão foi campeã de vários ralis na Europa. Atualmente o Hillman Avenger é tri-campeão inglês na categoria “Carros Históricos”. Quem quiser conferir é só acessar na Internet os sites www.staddiscombe.freeserve.co.nk/avenger.html e www.asoc.co.uk

Rodrigo Ramos Copelo
Rio de Janeiro - RJ

            Continuamos afirmando que o PT Cruiser – junto com os Dodge 1800/Polara – é o mais decepcionante Chrysler que já dirigimos, sem contar que os 1800/Polara sequer eram projetos Chrysler... Não concordamos quanto às considerações feitas a respeito do Chevrolet Opala, carro que obteve grande sucesso no mercado brasileiro, ao contrário do Dodginho que, se tivesse seu motor comparado aos 2.0 modernos, também deixaria muito a desejar.
            O projeto do Polara era, de fato, bom para a década de 60, mas não é possível considerar, por exemplo, seu espaço interno e velocidade máxima superiores às do Passat – este sim o carro que melhor se saía na extinta Divisão 1, do mesmo modo que o Corcel era muito mais confortável e o Chevette mais econômico. Também é bom lembrar que o Dodge 1800 – embora fosse um carro barato – foi um dos maiores fracassos da história da indústria automobilística brasileira e que, conforme a piada difundida na sua época, “só não trazia defeitos no certificado de propriedade”, tamanhos eram os problemas decorrentes de seu lançamento feito às pressas. Por tal motivo surgiu a campanha “Garantia Total” e mudou-se o nome do carro para Polara, o que, entretanto, foi pouco para salvar o pequeno Dodge, cuja imagem estava irremediavelmente manchada.
            Com o prematuro encerramento da produção da Dodge Dakota no país, é possível perceber que as dificuldades da Chrysler em meados de Terceiro Mundo não mudaram muito nestas últimas décadas, o que é de fato uma pena para quem realmente gosta de automóveis.
            Em tempo: o Plymouth Cricket norte-americano era o Hillman Avenger importado da Inglaterra, não sendo, logicamente, fabricado nos Estados Unidos, conforme o leitor imagina.
 


            Como proprietário e admirador incondicional dos 1800/Polara, sou suspeito para falar. Porém, aqui vai minha opinião: Tudo bem que o Dodginho teve vários problemas causados por seu lançamento prematuro, que prejudicaram sua imagem - problemas estes que foram erradicados, e transformaram o Dodginho em um carro absolutamente confiável. Mas dizer que o Dodginho é decepcionante, é outra história.
            Decepcionante por que? A imensa maioria dos proprietários e ex-proprietários do carro em questão sempre elogiaram e continuam elogiando o Polara. Eu mesmo sou um satisfeito proprietário de um Dodginho 1977 – carro que JAMAIS me decepcionou! Revistas conceituadas, na época em que o Polara era fabricado, realizaram inúmeros testes com o automóvel, e nunca o consideraram decepcionante.
            No caso dos 1800/Polara não serem projetos Chrysler... e daí? (!)
            A mudança de nome (de 1800 para Polara) realmente objetivava tirar da mente do consumidor a idéia de que o Dodginho ainda era o mesmo carro problemático lançado às pressas em 1973. Mas não se pode afirmar que sua "imagem manchada" foi o causador do fim de sua produção. Todos sabemos que os Dodge nacionais chegaram a seu fim devido à aquisição da Chrysler do Brasil pela Volkwagen, que aniquilou todos os Dodge (e não somente o Polara) para fabricar seus caminhões.
            Não sou expert em motores, mas em relação à parte que fala que o motor do Dodginho deixaria a desejar se comparado a motores 2.0 modernos, a resposta seria lógica: provavelmente os motores 2.0 modernos levariam vantagem em relação ao motor do Polara, por uma razão óbvia: não se pode comparar a tecnologia utilizada na época do Dodginho com a tecnologia atual – sem esquecer que o Dodginho possui motor 1800, e não 2.000. Outro detalhe: ao citar o Chevrolet Opala, Rodrigo comparou o motor de ambos, e não o sucesso ou fracasso deles no mercado, como foi ressaltado na resposta da revista! Uma prova da falta de argumentos por parte da revista ao atacar o Polara.
            No tocante ao espaço interno, o Dodginho sempre foi taxado de “pequeno por fora e grande por dentro”. Alguma razão deveria haver...
            Por fim, resta saber o porquê de toda essa maximização dos pontos negativos do Dodginho, escritos de forma a denegrir ainda mais a imagem do carro, praticamente em duas edições, de uma revista como a Auto&Técnica – que sempre coloca matérias extremamente interessantes para admiradores de carros antigos, com informações justas e coerentes – sem tantas críticas (INJUSTAS) a determinado carro.  Definitivamente, fazia-se desnecessário esse excesso de críticas, incluindo aí a piadinha referente à falta de defeitos no certificado de qualidade do Dodginho. Lamentável mesmo!
            Tenho  plena  convicção  de  que  o Dodginho nunca foi  um carro perfeito, sem problemas ou falhas.  Mas  também  tenho  plena  convicção  de  que  o  mesmo  não  é,  nem  nunca  foi,  um  carro DECEPCIONANTE, como foi dito (infelizmente) na minha revista predileta. Decepcionante foi ver tais críticas aos 1800/Polara, na revista a qual tenho grande apreço, e sempre fui profundo admirador e assíduo leitor.

            Lamento profundamente criticar a Auto&Técnica em meu site - uma revista que sempre espero ansioso todos os meses nas bancas, e que já cheguei a telefonar mais de uma vez para a Dinap (Distribuidora da revista) questionando o motivo de alguns atrasos da mesma nas bancas. Não pretendo deixar de comprar Auto&Técnica, nem deixar de reconhecer e elogiar o excelente trabalho realizado pela revista em suas edições. Mas também não poderia me omitir diante dos absurdos que li sobre o Dodge 1800/Polara.

 
Fabiano Suassuna Dutra de Albuquerque Montenegro
Segunda-feira, 21 de Maio de 2001
 


REPERCUSSÃO

            Mais uma prova de quão infeliz foi a crítica feita pela Revisa Auto&Técnica em relação aos Dodge 1800/Polara. A própria revista, na mesma edição onde foi publicada a carta do Rodrigo, mostra as considerações do Diretor-Adjunto de Comunicação Corporativa; e do Supervisor de Relações com a imprensa Daimler Chrysler, a respeito do assunto (página 70). Veja logo abaixo a reprodução do texto:
 
 
 

          PT CRUISER

            O PT Cruiser está sendo um sucesso de vendas em todo o mundo pelo seu design exclusivo, com estilo retrô, sua tecnologia avançada e sua funcionalidade. Tanto é que uma nova fábrica na Áustria ampliará a produção do modelo para atender sua demanda mundial.
            Apesar disso, Auto&Técnica considerou o modelo o mais decepcionante Chrysler por ela testado, em função de sua "tamanha falta de potência", chegando a fazer até uma infeliz referência, dentro do contexto, ao Dodge 1800/Polara.
            O que nos parece estranho é a revista Auto&Técnica limitar sua avaliação ao desempenho do automóvel, deixando de informar aos seus leitores que o PT Cruiser apresenta uma proposta diferenciada. Não se trata de um automóvel que busca oferecer um desempenho esportivo, como buscou nele a revista.
            O PT Cruiser justifica seu sucesso mundial junto aos consumidores do mundo todo ao oferecer tecnologia avançada, funcionalidade, exclusividade e prazer ao dirigir. Essas características já foram observadas e destacadas por todas as demais revistas, brasileiras e internacionais, que testaram e aprovaram essa proposta do modelo.

André Senador
Diretor-Adjunto de Comunicação Corporativa

Gilberto dos Santos
Supervisor de Relações com a Imprensa Daimler Chrysler

 
 

MAIORES  DETALHES  SOBRE  O  ASSUNTO
 

        Ao tomar conhecimento de meu descontentamento em relação ao caso citado nesta seção, Rubens Caruso Jr. - um dos Editores da Revista Auto&Técnica - me enviou um e-mail (em 19/06/2001), com considerações a respeito do caso. Antes, porém (em 28/05/2001), Rodrigo Leite Gasparotto (um dos colaboradores do site) também enviou um e-mail, a respeito do assunto. Agradeço a ambos pelas mensagens enviadas.
        Procurando ser o mais democrático possível, coloquei no site os dois e-mails, na íntegra.
Portanto, todas as informações abaixo citadas são de responsabilidade de quem os escreveu.
        Veja, a seguir, o e-mail enviado por Rubens Caruso Jr. (Editor de A&T) e, mais abaixo, o e-mail do Rodrigo Leite Gasparotto.


Prezado Fabiano.

            Sendo um dos Editores de A&T, sinto-me na obrigação de manifestar algumas considerações com relação às críticas empenhadas no seu bem elaborado site, independente da publicação de sua carta na Revista. Embora A&T tenha pouco mais de seis anos de publicação, modestamente desfrutamos de bom conhecimento no assunto automóvel, paixão cultivada desde crianças pelos hoje quarentões profissionais da Revista.
            É preciso considerar a experiência acumulada em anos de estudo e trabalho. Avaliar um automóvel demanda sensibilidade e conhecimento que raros jornalistas no Brasil têm. É preciso ainda considerar que o exercício democrático do direito à expressão permite e garante emitir opiniões positivas ou negativas sobre os assuntos que tratamos - não fosse assim cairíamos no triste ridículo de simplesmente copiar fichas técnicas desta ou daquela marca. Esta garantia constitucional possibilita até a existência de sites como o seu, com capacidade de opinar inteligentemente sobre pautas de seu interesse.
            Pois bem, muito mais do que "testadores de carros" ou "copiadores de fichas", procuramos dar alma aos nossos textos. Escrever pode ser fácil, é só juntar um monte de palavras e por um ponto no final. Mas dar vida a um texto não é fácil, e é isto que garante a sobrevivência e a longevidade de um produto como A&T: a confiança que leitores como você depositam em quem assina um texto. Isto impede qualquer conceituação de "tendencioso" para um texto, já que nossos parceiros são os leitores, muito antes de qualquer parceiro comercial da Revista. Por exemplo, nutrimos uma relação muito cordial com os signatários da correpondência da Daimler-Chrysler, o que não impede nosso direito à crítica nem à manifestação daquela empresa.
            Resumindo, todos temos direito de expressão, claro que com um embasado conhecimento técnico. O Dodge 1800/ Polara, na minha opinião, foi fruto de uma corajosa atitude da Chrysler à época, mas cujos resultados demonstraram que não basta coragem: o carro foi lançado com muitos problemas; as vendas sempre ficaram muito abaixo da concorrência (Passat, com motor 1.5 ou 1.6); o desempenho não empolgava, apesar do 1.8, considerando o enigmático carburador que equipava o carro.
            Dentro do panorama da linha de produtos, o 1800 veio em meio à crise do petróleo, como "salvação da lavoura" para a empresa, definida pelos motores V8 dos Dart/ Charger. Lá se vão 20 anos desde que a empresa parou pela primeira vez, e as melhores lembranças ficam sempre pelos V8, o que não quer dizer que os Polara estão esquecidos, mas os grandes, beberrões, poucos estáveis Charger e Cia. produzem mais horas/papo que outros modelos da marca.
            Em tempo: tivemos um Polara 80 em nosso pequeno acervo, mas pela enorme dificuldade de mantê-lo em condições adequadas (falta de peças, em especial de acabamento, além do carburador - em tempos de pouca fartura de internet), este acabou mudando de mãos, e não sei onde andará.
            A mesma dificuldade não temos com um bem nutrido Charger 79 ou com a quase restaurada D100, ambas com fornecedores locais ou norte-americanos.
            A&T está à sua disposição e de todos os visitantes do seu site, e aproveito para mais uma vez cumprimentá-lo pela franqueza e qualidade do tratamento dispensado.

Grande abraço!

Rubens Caruso Jr.
Editor - Auto&Técnica
rcaruso@zaz.com.br




Botucatu, 28 de Maio de 2001.

Caro Fabiano,

            Não pude deixar de tomar conhecimento da atitude injusta tomada pela revista "Auto & Técnica" que, sem mais nem menos, denegriu a imagem do Dodge 1800/Polara, ofendendo a todos os atuais proprietários, que além de lutar contra uma quase total falta de peças e serviços especializados, agora têm de aturar opiniões desfavoráveis infundadas.
            Primeiro ressalto ser leitor de citada revista, pelas mesmas razões que você, e que ela me proporcionou momentos de alegria, com reportagens sobre veículos antigos, em especial os nacionais, resgatando sua memória, tão esquecida nos dias de hoje.
            Por outro lado, acho que o tom das afirmações feitas pelo leitor em sua resposta à revista, sobre o Chevrolet Opala, foram feitas de uma maneira um tanto impolida, e, sabendo-se o número imenso dos admiradores desse veículo, dentro da própria publicação, inclusive (como agora ficou claro), entendo parcialmente a violência com que a redação se manifestou.
            Entretanto, frise-se, o "primeiro tiro" foi dado pela revista, num comentário igualmente infeliz, sobre o PT Cruiser, que seria um dos Chryslers mais decepcionantes da história, desde o Dodge 1800/Polara.
            Mas, razões subjetivas à parte, considerações devem ser feitas, que não podem ser refutadas, eis que, ao contrário daquelas feitas pela "Auto & Técnica", estão fundamentadas em testes empíricos, e que passamos a fazer:
            Primeiramente, e por princípio, um critério utilizado para comparar automóveis é o combustível por eles utilizado. Assim, não devem ser comparados carros à álcool com aqueles movidos à gasolina;
            Da mesma forma, não devemos considerar comparação válida aquela feita entre automóveis de idades muito diferentes, tendo em vista os avanços tecnológicos auferidos pela indústria automobilística com o passar dos anos.
            Feitas essas observações, de início, passemos aos números:

1) Motores:

 Motor GM 151  2474cc, 82CV@4400rpm, 17mkgf@2400rpm
 Motor Dodge Polara  1799cc, 85CV@5000, 14,2mkgf@3500

            No caso da carta do leitor à revista, ele não fez um comparativo de sucesso mercadológico (que aliás, não traduz necessariamente a boa qualidade de um produto), mas sim de motores e tecnologia empregada.
            Assim, facilmente se percebe que o motor do Dodge é mais eficiente do que aquele que equipa os Opala 4 cilindros (47,2 CV/L x 33,14 CV/L, respectivamente).
            A potência específica do motor 1.8 do Polara é boa para os padrões da época, se comparada a outros motores:

GM 151  33,14 CV/L
GM 250  28,8 CV/L
GM 250-S  30,78 CV/L
GM OHC 2.0  49,54 CV/L
Dodge 1.8  47,25 CV/L
VW 1600  34,09 CV/L
VW AP 1800S  52,21 CV/L
Fiat 1.6  53 CV/L
Ford 1.6 "pré" CHT  45,01 CV/L
Ford 2.3L OHC  39,56 CV/L

2) Desempenho:

            O leitor, em sua missiva, declarou ser o Opala 4 cilindros "decepcionante", posto que seria um carro lerdo.
            Para aferir a veracidade de tal afirmação, vamos comparar seus números de desempenho com os de outros veículos, seus contemporâneos:

- Caravan SS 1980: 0-100 km/h em 17,59 s. - velocidade máxima de 145,161 km/h;
- Caravan Comodoro 1981: 0-100 km/h em 18,71 s.  velocidade máxima de 147,541 km/h;
- Opala Comodoro 1989: 0-100 km/h em 15,83 s.  velocidade máxima de 152,5 km/h
- Gol LS 1981: 0-100 km/h em 18,89 s.  velocidade máxima de 144,000 km/h;
- Corcel II 1981: 0-100 km/h em 17,07 s.  velocidade maxima de 152,542 km/h;
- Passat LS 1981: 0-100 km/h em 14,24 s.  velocidade máxima de 150,313 km/h

- Dodge Polara GL 1980: 0-100 km/h em 14,20 s.  velocidade máxima de 150,000 km/h.

            Ante esses números, podemos chegar à seguinte classificação:

Arrancada:                            Velocidade Máxima:

1º Polara GL                         1º Corcel II
2º Passat LS                         2º Opala Comodoro
3º Opala Comodoro             3º Passat LS
4º Corcel II                             4º Polara GL
5º Caravan SS                      5º Caravan Comodoro
6º Caravan Comodoro         6º Caravan SS
7º Gol LS                               7º Gol LS

Obs.:  todos os veículos acima citados são movidos a gasolina; dados coletados de diversas edições das revistas "4 Rodas" e "Autoesporte" da década de 80.

            Conclusão: todos esses carros possuem velocidade máxima semelhante, destacando-se, em aceleração, o Polara e o Passat LS, que chegam a ser 1,6 segundos mais rápidos que o terceiro colocado (Opala Comodoro). É de se ressaltar que, segundo a revista 4 Rodas, o Passat LS então avaliado era equipado com o mesmo motor 1.6 do Passat TS.
            Logo, o Opala não pode ser considerado "decepcionante", conforme alegou o missivista, restando seus números de desempenho dinâmico como meros resultantes de uma opção da fábrica.
            Mesmo assim, tanto o Passat LS quanto o Polara GL têm desempenho notadamente superior, vez que seus 1,6 segundos de vantagem em arrancada sobre o Opala a meu ver pesam mais do que 1 ou 2 km/h de velocidade máxima, máxime o fato do Chevrolet ter sido fabricado em 1989.
            Outra referência que merece ser levada em consideração é o fato de que Polara GL e Passat LS têm desempenho praticamente idêntico (a diferença entre eles, aliás, é desprezível), sendo que a comparação de desempenho destes carros deveria ser feita entre as versões esportivas (GLS e TS, respectivamente).
            Portanto, da mesma forma não procede a alegação da revista de que "o Passat TS sempre andou mais".
            Quanto aos problemas apresentados pelo Dodge 1800/Polara, é de conhecimento notório que os mesmos perduraram até 1975, quando ele deixou de ser denominado "1800" para se chamado, definitivamente de "Polara".
            Não fosse assim, não teria sido eleito carro do ano em 1977, informação veraz e irrefutável, portanto.
            Corrobora para a tese o fato de que a própria Volkswagen continuou a fabricá-lo, sob o nome de VW 1500, na Argentina, até 1992, ficando mais tempo em produção, inclusive, que o próprio Passat.
            Essa informação a própria revista deveria saber... .
            Agora, o que há de mais absurdo na resposta da revista, é a preconceituosa alegação de que o Dodginho não é um projeto Chrysler.
            Ora, a partir do momento em que uma fábrica põe a sua marca em determinado produto, se responsabilizando pelas conseqüências de sua comercialização, tal produto passa a ser seu.
            Caso contrário, os Corcel, I e II, não são Ford, são Renault; o painel das Brasílias é DKW-Fissore; nosso Dodge Charger R/T é um Dodge Dart; o atual Chevrolet Tracker é um Suzuki; O Opala é Opel; O Fusca, é Porsche; o Willys Interlagos é um Renault Alpine; o Simca é Ford, e como corolário desta tese absurda, a própria Chrysler não produz mais legítimos carros Chrysler, vez que se fundiu com a Mercedes-Benz!
            Só quero que me dêem uma boa resposta para a seguinte pergunta: que diferença faz tal informação?
            Se me perguntarem qual a marca de um Del Rey, responderei imediatamente: Ford.
            Portanto, aqui fica meu protesto contra a atitude da revista, um covarde "soco na boca do estômago" de todos os proprietários de Dodge Polara do Brasil, e dos antigomobilistas em geral, vez que prestou um desserviço, ao semear a discórdia, exatamente o contrário do que se espera de tão renomado veículo de comunicação.
            Finalmente, devo frisar o fato de que o Dodge Polara realmente deixou de ser fabricado graças à absorção da Chrysler pela Volkswagen, que tirou todos os Dodge de linha, vez que não tinha interesse, à época, em dar continuidade à produção de automóveis grandes e de luxo (linha Magnun/LeBaron) e não queria fabricar outro carro pequeno e moderno que não o Passat.
 

Rodrigo Leite Gasparotto.
rodrigolg@uol.com.br
 

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