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Por volta de 1993, a Rede Globo de Televisão
apresentou o programa Globo Repórter (ano 20),tendo como tema a
profissão de dublê. Mostrou diversas cenas de novelas, onde
a presença do dublê é quase sempre indispensável
para garantir a integridade física do ator ou atriz de televisão.
Como era de se esperar, a equipe do programa preparou duas simulações
de acidente, onde dublês exibiriam sua perícia
ao volante, fazendo demontrações de suas habilidades.
Para isso, seriam necessários dois carros, obviamente velhos, que
seriam destruidos separadamente: o primeiro seria atirado em um lago, e
o outro seria lançado a partir de uma rampa, capotaria e - como
se já não bastasse - explodiria com a ajuda de detonadores
e muito combustível especialmente usado para a realização
desta proeza.
O estimado leitor já deve ter adivinhado qual modelo de automóvel
foi escolhido para ser sacrificado. Dois Dodge
Polara foram aniquilados,sem pena, no mesmo programa
de televisão, apenas como forma de ilustrar duas cenas deprimentes
e revoltantes para todos que se esforçam
para preservar esse carro,cada vez mais raro nas ruas,e até nos
ferros-velhos. A
equipe do programa deveria, pelo menos,
ter escolhido um modelo mais comum de automóvel, como um Passat
por exemplo
(que inclusive foi utilizado na cena de acidente
da novela "Perigosas Peruas"), e não um Polara, que está
praticamente em
extinção.
Os carros destruidos no programa já não estavam em
bom estado de conservação. Mas este fato não justifica,
em hipótese nenhuma, a destruição dos mesmos.
Fiquei indignado com o que vi. Inclusive gravei o programa e quase o apago
depois, tamanha era a minha revolta ao ver tais cenas.
Compreendo que existem valores diferentes de pessoa para pessoa: da mesma
maneira que (a grande maioria das)
pessoas não dão o mínimo
valor a carros velhos, existem pessoas (apesar de serem a minoria) como
eu, que valorizam e não
admitem tais atos com estes, que um dia foram
automóveis 0 Km, comprados, com certeza, com muita satisfação
por seu primeiro dono, e que hoje em dia "não
valem nada" ! Porém, eu não poderia
deixar de manifestar meu sentimento de indignação que tenho
cada vez que revejo as tais cenas de destruição do carro
de minha preferência. Isso para mim é inadmissível,
e não se justifica!!!
Fabiano Suassuna D. A. Montenegro
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